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Diagnóstico

Diagnóstico técnico vs pitch perfeito

Pitch deck bonito mente. Não por má fé do empreendedor, mas por construção: o formato premia narrativa, não diagnóstico. Slides existem pra convencer, não pra ler problema. E é por isso que a gente parou de aceitar deck como ponto de partida.

Quando alguém chega no estúdio com tese nova, a primeira coisa que pedimos não é o pitch. É um questionário com 47 perguntas que cobre 5 eixos: mercado, execução, diferenciação, modelo e regulatório. Lógica condicional, perguntas que se adaptam ao que você responde antes. Demora 8 minutos, é grátis, e devolve um score por eixo.

O que muda quando você troca pitch por diagnóstico

Pitch te conta a história que o fundador quer que você ouça. Diagnóstico te conta a história que os números deixam escapar.

Exemplos práticos de coisas que aparecem no diagnóstico e ficam escondidas no pitch:

  • CAC modelado de R$ 240 contra ticket médio de R$ 180. O slide de unit economics não destaca o gap, mas o questionário força o fundador a colocar os dois números lado a lado.
  • Compliance regulatório tratado como "vamos resolver depois". No pitch vira bullet de 3 palavras. No diagnóstico vira pergunta direta: você tem parecer jurídico sobre CFM 2.314/22 ou não tem?
  • Diferenciação descrita como "tecnologia proprietária" sem nenhuma referência defensável. O diagnóstico pede o que exatamente é proprietário e por quê.

Nenhum desses pontos sai do pitch normal. Todos saem do diagnóstico estruturado.

Por que o formato importa

Pitch é evento. Diagnóstico é processo. Pitch tem 12 slides e 5 minutos. Diagnóstico tem 47 perguntas e a sessão dura o quanto durar.

Pitch é construído pra ganhar atenção de investidor genérico. Diagnóstico é construído pra ler operação. São objetos diferentes. A gente não despreza pitch, só não usa como ferramenta de decisão.

A regra interna que aplicamos é simples: se a tese só sobrevive no formato pitch e desmonta no formato diagnóstico, é tese de marketing. A gente não constrói tese de marketing.

O que o diagnóstico não faz

Diagnóstico não substitui due diligence. Não substitui conversa de fundador. Não substitui leitura de mercado feita por humano sênior. É o primeiro filtro, não o último.

Mas ele economiza tempo absurdo nas duas pontas. Pro estúdio, porque a gente para de gastar reunião com tese que não vai passar. Pro fundador, porque sai com leitura honesta antes de gastar 6 meses construindo o que não fecha.

Como o estúdio usa o resultado

Score de 0 a 100 por eixo. Score abaixo de 55 em qualquer eixo crítico (mercado, modelo ou regulatório) trava a passagem pra camada paga até resolver. Não é mecânica de gatekeeping. É proteção pro cliente.

Quando o score passa, o time sênior lê o estudo completo e marca uma sessão de 90 minutos pra explorar os pontos cegos. Aí sim entra a conversa de execução.

Resultado depois de 200 teses lidas

Aproximadamente 65% das teses não passam no diagnóstico. Dessas, mais da metade ficam felizes com o resultado: o documento aponta exatamente o que precisa virar antes de tentar de novo. Cerca de 20% voltam em 6 meses com versão corrigida.

Das teses que passam, a taxa de conclusão da camada 2 (produto rodando em produção) está acima de 90%. Isso só acontece porque o filtro foi rigoroso lá atrás.

Pitch é instrumento de venda. Diagnóstico é instrumento de decisão. A gente prefere decisão.

Próximo passo

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